O parto de cadelas pequenas é um momento de grande emoção, mas também de responsabilidade.
Raças como Yorkshire Terrier, Chihuahua, Maltês ou Pomerânia têm características físicas que tornam este processo mais delicado, desde o tamanho reduzido da mãe até à sensibilidade ao stress e às variações de temperatura. Embora a maioria das cadelas saiba instintivamente como cuidar das suas crias, o acompanhamento atento do tutor é essencial para garantir que todos os bebés nascem e crescem em segurança.


Uma das situações mais frequentes e menos faladas acontece nos primeiros dias, quando a produção de leite não é suficiente para alimentar toda a ninhada. Nestes casos, é fundamental agir cedo, observando se todos os bebés mamam, se ganham peso diariamente e se algum fica sistematicamente afastado das mamas.
O reforço alimentar da mãe, a rotação dos bebés durante a amamentação e, quando necessário, a suplementação com leite específico para cachorros, sempre com orientação veterinária, podem fazer toda a diferença para a sobrevivência e desenvolvimento saudável da ninhada. Preparação, informação e presença são os pilares para viver este momento com tranquilidade e confiança.
Porque o parto de cadelas pequenas requer atenção especial


Raças pequenas como Yorkshire Terrier, Chihuahua, Pomerânia, Maltês e Bichon Frisé apresentam riscos específicos.
Bebés relativamente grandes em relação à mãe, ninhadas numerosas ou fragilidade física da cadela podem aumentar a necessidade de intervenção. Além disso, a sensibilidade a mudanças de temperatura e ao stress pode retardar ou complicar o parto.
Por isso, é essencial ter sempre o contacto do veterinário à mão, pois uma intervenção rápida pode fazer toda a diferença na sobrevivência e saúde dos recém-nascidos.
Preparar o espaço para o parto
O local deve ser calmo, seguro e confortável. Escolhe uma área silenciosa, longe de correntes de ar e do movimento da casa. Uma caixa ou caminha com laterais baixas protege os bebés e permite à mãe aceder a todos facilmente.
Forra o fundo com toalhas limpas e resguardos absorventes, que devem ser trocados regularmente.
Mantém a temperatura ambiente entre 24 e 28 ºC e, se necessário, utiliza aquecimento adicional.
Evita mudar o local nos últimos dias de gestação, pois isso pode gerar stress. Uma luz noturna suave pode ser útil para observação sem incomodar a mãe.
Sinais de que o parto se aproxima


Nos últimos dias de gestação, podes notar alterações subtis no comportamento da cadela.
Ela pode lamber o abdómen e a região perineal com frequência, uma preparação natural para o parto. Pequenas contrações podem ser acompanhadas de inquietação, gemidos ou tentativas de cavar.
Mudanças de comportamento, como recusa de comida ou procura por esconderijos, também são comuns. Uma ligeira queda da temperatura corporal, normalmente entre 1 a 2 ºC, pode ocorrer nas 12 a 24 horas anteriores ao parto.
Durante o parto
O parto decorre, na maioria dos casos, de forma natural.
Cada bebé nasce geralmente com um intervalo de 30 a 60 minutos. A mãe rompe a bolsa, limpa o bebé e corta o cordão sozinha.
No entanto, para cadelas pequenas, pode ser útil ter um recipiente com água morna e compressas à mão para limpar suavemente os recém-nascidos e estimular a circulação.
Se um bebé nascer ainda dentro da bolsa e a mãe não intervir, podes rasgar cuidadosamente a bolsa e limpar o focinho para facilitar a respiração.
Quando contactar o veterinário
Existem sinais que exigem intervenção profissional imediata:
- Contrações fortes durante mais de 30 minutos sem nascimento
- Intervalos superiores a 2 horas entre bebés
- Sangramento intenso ou com odor anormal
- Cansaço extremo
- Dor intensa ou febre na mãe
- Bebé preso ou com dificuldade em respirar
Cuidados após o parto


Nos primeiros dias, é crucial garantir que todos os bebés mamam nas primeiras duas horas para receber o colostro, fundamental para a imunidade.
Mantém o ambiente quente e limpo, observando a alimentação, ingestão de água e comportamento da mãe. Troca regularmente toalhas e resguardos e monitoriza o ganho de peso diário e sinais de fraqueza ou letargia.Os bebés devem ganhar peso diariamente e dormir a maior parte do tempo.
Choro constante pode indicar fome, frio ou desconforto. Evita banhos e produtos nos primeiros dias e mantem monitorização diária de peso, temperatura e comportamento. Observa a postura da mãe ao mamar; se ela se deitar de forma que não consiga acomodar todos os bebés, ajuda a posicioná-los corretamente.
Alimentação da mãe durante a amamentação


Para prevenir hipoglicemia nas cadelas pequenas, é útil oferecer pequenas doses de alimento energético à mãe a cada 2-3 horas durante os primeiros dias.
A ração específica para lactação, rica em proteína, cálcio e vitaminas, é recomendada. Suplementos indicados pelo veterinário, como óleo de peixe ou probióticos, podem ajudar na produção de leite e na saúde intestinal
Características únicas de algumas raças pequenas
O Yorkshire Terrier apresenta maior risco de parto difícil, exigindo atenção à temperatura ambiente e higiene da ninhada.
Chihuahuas têm bebés muito pequenos e frágeis, sendo crucial uma alimentação materna de alta densidade calórica.
Pomerânias têm pelagem densa que exige limpeza cuidadosa e secagem dos recém-nascidos.
Maltês podem ter partos mais longos e delicados, pelo que é importante observar intervalos entre os bebés.
Bichon Frisé são mães calmas, mas sensíveis; um ambiente silencioso e protegido é essencial para reduzir stress.
Situações reais que preocupam tutores e como agir
Muitos tutores procuram ajuda porque sentem que algo não está bem, mesmo quando não existem sinais óbvios de emergência. Uma situação comum é a mãe aparentar estar calma, mas não permitir que todos os bebés mamem. Nestes casos, ajuda a posicionar suavemente os bebés mais fracos primeiro, garantindo que todos tenham acesso às mamas pelo menos várias vezes ao dia.
Outra preocupação frequente é o choro constante dos bebés. Nem sempre indica fome. Em raças pequenas, o frio é uma das causas mais comuns. Mesmo em casas aquecidas, o chão pode estar frio demais. Colocar uma manta extra por baixo da caixa e garantir isolamento térmico faz muitas vezes toda a diferença.
Alguns tutores ficam alarmados quando a mãe parece não querer sair da caixa nem para comer. Nas primeiras 24 a 48 horas isto pode acontecer. Leva a comida e a água até junto dela e oferece pequenas quantidades. Forçar a saída pode aumentar o stress e interferir na produção de leite.
Há também quem se preocupe com tremores ligeiros na mãe após o parto. Em cadelas pequenas, isto pode estar associado a cansaço extremo ou a uma descida de açúcar no sangue. Oferecer uma refeição energética e observar se os tremores passam é importante. Se persistirem, deve ser avaliado por um veterinário.
Dicas finais para tutores
Mantém um registo diário da mãe e dos bebés, incluindo peso, alimentação e comportamento. Evita mudanças bruscas de rotina durante a lactação e lembra-te de que a tua calma transmite segurança à cadela, ajudando a reduzir stress e possíveis complicações.
Mesmo sendo o primeiro parto, a maioria das cadelas pequenas sabe instintivamente o que fazer.
O papel do tutor é observar atentamente, apoiar com tranquilidade e intervir apenas quando necessário. Com preparação, presença e informação correta, este momento pode ser vivido com serenidade, garantindo saúde e bem-estar para mãe e bebés.
Ter tudo preparado antes do parto ajuda a manter a calma e a responder rapidamente se necessário, esta checklist reúne o essencial que realmente faz diferença durante e após o parto.







